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"Só existe uma coisa melhor do que fazer novos amigos: conservar os velhos."

Wednesday, May 27, 2015

Arriscar é: Família 8

A condição de aceleração do tempo, de alargamento de espaço e movimentação humana sem precedentes é impeditiva de vinculações psicossociais estáveis e prolongadas, em todos os planos da vida. A era da "instantaneidade", em que tudo funciona 24 horas por dia, propõe uma vida em que não se torna necessário postergar nenhum desejo ou necessidade, afastando o "fantasma da frustração". "Dentro do referencial psicanalítico, entenderíamos essa condição como de soberania do processo primário sobre o secundário, tal como funciona o bebé ao exigir o pronto atendimento e a satisfação das suas necessidades e desejos". Entende-se ainda, que o consumismo favorece uma disponibilização psicológica para o descarte, incluindo o de pessoas, moldando uma nova forma de relacionamento pautado pela efemeridade e o imediatismo. Em última instância, "trata-se, portanto, de um mundo que não favorece a aproximação entre as pessoas, a criação de vínculos duradouros, o associativismo e a grupalização".

Arriscar é: quase bom

Os juizos precipitados impedem-nos de ver
o fim das coisas.
Muitas delas são difiveis, dolorosas e por vezes até as
classificamos de más.
Contudo, a mesma coisa, lugar ou circunstância mais adiante
torna-se o contrário.
Desde a morte da semente até ao inverno a própria natureza nos ensina
a saber esperar ora o verão ora a flor.

Thursday, April 30, 2015

Arriscar é: família 7

Amar dá trabalho. E o ganho pode parecer pouco – especialmente quando se vive num mundo como o nosso, que nos cobra a busca por um fictício estado prazeroso ininterrupto. O ganho, que não está previsto nessa conta que soma êxtases, é aquele que não se percebe de imediato: as transformações do eu na experiência da intersubjetividade. Aqui se inclui a relação de amizade e interajuda.

Friday, April 24, 2015

Arriscar é: família 6

Uma relação amorosa duradoura depende, depois de passado o estado de apaixonamento, da disponibilidade psíquica de reconhecer o outro, sua alteridade, e que esse processo pode estar a tornar-se dificil numa "Cultura Narcísica". A experiência do encontro amoroso associa-se a uma subjetividade construída nas bases "de um eu que passou pela fase do narcisismo primário, dele saiu competente para a experiência da alteridade, e que se mantém e se reforça durante a vida numa cultura que lhe ofereça modelos de sustentação da intersubjetividade". Contudo, a cultura contemporânea, "reproduz conceitos e práticas que não sustentam a alteridade, e constantemente devolvem o sujeito para o miolo de si mesmo quando este procura referências fora de si, na experiência coletiva". Assim, na atualidade, é a possibilidade do encontro intersubjetivo que está em jogo. As pessoas agrupam-se para trabalhar, para estudar, para ganhar dinheiro, mas isso não necessariamente se caracteriza como um encontro intersubjetivo, porque na nossa sociedade, como efeito das condições de existência, cada um está mais interessado em falar de si do que ouvir o outro. "Falta disposição interna para escutar, refletir, construir junto um pensamento compartilhado, produto de um encontro". Optar por ficar só é uma saída, quando se percebe que o amor de "boa qualidade", o "amor de verdade" exige tempo e grande disponibilidade.

Wednesday, April 22, 2015

Arriscar é: ser mártir

Ser mártir é entregar a sua vida dando testemunho do nosso amor.
Por quem tu és Mártir?

Tuesday, April 21, 2015

Arriscar é: coerência

Há na nossa vida uma forte ligação ao sentido da coerência.
Se nos dizem: "és assim..." temos uma tendência em seguir essa classificação.
E mantemos a coerência com o que nos dizem.
Podemos perceber a importância do que afirmamos em relação ao ser do outro.
Se elevarmos a fasquia ele poderá subir na qualificação do seu ser.
Se baixarmos ele quererá, coerentemente, corresponder a tal.

Wednesday, April 15, 2015

Arriscar é: família 5

A instabilidade dos contratos que regem a vida contemporânea afeta a estabilidade dos vínculos, porque interfere na esperança dos parceiros de se manterem sempre unidos, como se pensava antigamente, já que o sentimento de vulnerabilidade narcísica decorrente desta instabilidade interfere na capacidade de mediação dos conflitos e de aceitação das próprias faltas. Ou seja, como o vínculo amoroso implica no estabelecimento de um contrato em que há um investimento narcísico, a incerteza quanto ao futuro deste investimento influencia na disponibilidade dos parceiros quanto às tentativas de resolução de conflitos inerentes do vínculo. Diante da ausência de contratos sólidos sustentando a formação dos vínculos, serão cada vez mais os próprios parceiros os responsáveis pela manutenção do vínculo, porque as condições de vida contemporânea convidam os membros da união para um tipo de pensamento não-linear e bastante complexo, envolvendo riscos altos, o que dificulta a manutenção do contrato.

Arriscar é: família 4

Apesar da contribuição inegável da presença dos valores democráticos na organização dos vínculos amorosos hoje em dia, também é preciso reconhecer o lado desta liberdade que aponta para um desafio. Na contemporaneidade os vínculos encontram-se mais preenchidos por valores passíveis de serem questionados e requestionados pelos seus membros, o que se reverte em insegurança. Trata-se de um paradoxo e da complexidade a que estamos expostos hoje em dia.
Se antigamente os vínculos eram mais estáveis, eram igualmente pouco abertos para o diálogo: os conflitos existiam, mas dificilmente podiam ser questionados/conversados. Atualmente, com o advento do "relacionamento puro", valorizamos a igualdade de direitos e de responsabilidade, o respeito mútuo e a presença do diálogo aberto no vínculo, embora aparentemente as condições de mantê-lo sejam mais frágeis.

Thursday, April 09, 2015

Arriscar é: família 3

Tendendo a ser a forma predominante de convívio humano, o "relacionamento puro" é o que se construiu como efeito dos fenómenos sócio-culturais e económicos de nossa era. Nesse tipo de relacionamento entra-se pelo que se pode ganhar, de acordo com o grau de satisfação que pode obter, pois é "baseado na comunicação emocional, em que as recompensas derivadas de tal comunicação são a principal base para a continuação do relacionamento", e não mais as normas rígidas tradicionais. É essa liberdade em torno da sua construção e a necessidade de estar em permanente construção, que o leva a ser caracterizado como aquele que pode ser rompido por qualquer um dos parceiros, a qualquer tempo.


Algumas características específicas fazem o "relacionamento puro" distanciar-se do padrão de relacionamento do tipo tradicional: depende de processos de confiança ativa (abertura de si mesmo para o outro), da franqueza, como condição básica para a intimidade, e da democracia. Um bom relacionamento realmente é aquele que se estabelece entre iguais, em que cada parte tem seus direitos e obrigações. É dessa forma que se compreende que os relacionamentos na atualidade seguem os valores da política democrática: igualdade de direitos e de responsabilidade; o respeito mútuo; a presença do diálogo aberto como uma propriedade essencial da democracia; e a ausência de poder autoritário. Por isso, considera-se realmente que se esses princípios forem aplicados aos relacionamentos, pode-se pensar  numa "democracia das emoções na vida quotidiana", e que esse tipo de democracia lhe parece tão importante quanto a democracia pública para o aperfeiçoamento da qualidade das nossas vidas.